domingo, 10 de novembro de 2013

Humoristas dominam debate público nos EUA

folha de são paulo
DIÁRIO DE WASHINGTON
O MAPA DA CULTURA
Política é coisa séria?
Humoristas dominam debate público nos EUA
RAUL JUSTE LORES
As manhãs de Domingo são o horário favorito da TV americana para tratar de política. Todos os grandes canais abertos (e os principais da TV paga) têm mesas- redondas com deputados, ministros, comentaristas e lobistas.
Mas a tradição, criada em 1947, com o "Meet the Press", o programa mais antigo em atividade nos EUA, está ameaçada. Audiências têm caído, o público, envelhecido, e os convidados, com seus cabelos acaju e ternos acima do tamanho, se repetem por todos os canais.
Em contraponto, a política tem ganho terreno em outros horários da grade. Desde o início deste ano, duas das maiores audiências entre os "talks shows" de fim da noite são de comediantes que tratam quase exclusivamente do tema.
Jon Stewart, com o programa "The Daily Show", e Stephen Colbert ("The Colbert Report") são líderes entre o público de 18 a 49 anos. As duas atrações, do canal pago Comedy Central, têm deixado para trás figuras históricas como David Letterman e Jay Leno, das grandes redes abertas CBS e NBC.
Mas a maior sensação atual na TV americana, em termos de política, se chama Bill Maher. O militante ateísta comanda o programa "Real Time with Bill Maher", que vai ao ar nas noites de sexta-feira na HBO norte-americana.
A atração já recebeu figuras distintas como o escritor Salman Rushdie e o cientista Richard Dawkins, o jornalista Glenn Greenwald e o cineasta Oliver Stone.
Maher, também produtor da série "Vice" (que andou levando os Harlem Globetrotters à Coreia do Norte), faz barulho defendendo posições como o fim do embargo a Cuba e ironizando o juiz da Corte Suprema que disse que o diabo existe. Seus monólogos ao final do programa, chamados de "new rules", se tornaram imperdíveis para o público que, para se informar sobre o poder, trocou os políticos pelos humoristas.
FUSÃO LATINA
Quem não sofre com perda de público e tem filas de políticos querendo aparecer em seus programas é a Univision, rede famosa pela programação em espanhol.
Mas, como a imigração latino-americana encolheu nos últimos anos, o grupo tem cobiçado a geração de filhos de migrantes já nascidos nos EUA e que têm no inglês seu primeiro idioma.
Em parceria com a rede ABC, a Univision criou recentemente um canal para esse grupo, pretendendo, de quebra, atrair uma fatia do público jovem em geral, que anda deixando a TV aberta. Lançado há duas semanas, o "Fusion" já chega a 20 milhões de lares americanos.
O CÉU É O LIMITE
A capital dos EUA tem atraído milhares de jovens que cresceram nos subúrbios vizinhos de Maryland e Virginia, mas que pretendem morar em áreas centrais, mais agitadas e caminháveis.
O problema é um só: espaço. As cidades-dormitório possuem 5 milhões de habitantes, enquanto em Washington só há 650 mil pessoas.
Com isso, o metro quadrado encareceu muito, e o governo quer mudar uma das características históricas da cidade: o limite de altura das construções.
Desde 1910, a legislação determina que a altura dos prédios não ultrapasse a largura das ruas e avenidas. Com poucas exceções, os edifícios em ruas secundárias não superam os 27 metros de altura (9 andares) e, em avenidas, 40 metros (13). A lei foi criada depois da inauguração do polêmico (e pavoroso) Hotel Cairo, de 1894, que tem 50 metros. A prefeitura pretende aumentar o limite em 25%, mas só o Congresso americano pode aprovar a mudança.
FLUXO E REFLUXO
Depois que protestos pela morte de Martin Luther King, em 1968, provocaram a destruição de bairros inteiros da cidade, a capital assistiu a um êxodo da população branca para os subúrbios, e diversas áreas centrais se tornaram de maioria negra.
O retorno dos jovens dos subúrbios brancos para áreas centrais está mudando a composição étnica de Washington. Logan Circle, por exemplo, que tinha maioria negra, tornou-se terreno de restaurantes caros, gays e de juventude branca. No contrafluxo, muitas famílias negras e latinas estão migrando para os subúrbios. A proporção de negros na cidade, que em 1980 chegou a ser de 70%, hoje é de 49,5%

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