sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Exibidores apostam mais em filmes sem legendas

folha de são paulo

 
FERNANDO MASINI
DE SÃO PAULO
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Com o lançamento de mil cópias no país, o filme "Jogos Vorazes: Em Chamas", que estreia hoje, terá cerca de 65% de versões dubladas nos cinemas. Em São Paulo, das 179 salas que exibem a aventura juvenil estrelada pela atriz Jennifer Lawrence, 106 apresentam a cópia falada em português.
Quem for neste fim de semana, por exemplo, ao Mauá Plaza Shopping, na região metropolitana, vai encontrar o filme em cartaz em quatro salas, sendo que todas exibem a versão dublada.
Isso se repete em proporções parecidas no caso de filmes como "Homem de Ferro 3" e "Velozes e Furiosos 6", outros blockbusters que estrearam neste ano.
Editoria de Arte/Folhapress
A tendência, antes restrita a animações e a obras infantis, agora se estende para produções adultas, entre comédias e filmes de ação.
Segundo a gerente de marketing da UCI, Monica Portella, houve aumento de cerca de 50% das versões dubladas nos lançamentos da rede de 2012 para 2013.
Um levantamento da Playarte mostra que nesse mesmo período os números de filmes estrangeiros falados em português passaram de 65% para 75%.
Para o diretor-geral da Paramount Brasil, Cesar Silva, há um aumento expressivo que se consolidou neste ano.
A maior parte dos exibidores credita essa mudança a uma demanda do público. "A versão dublada atende também às pessoas que não frequentavam cinema antes", acrescenta Silva.
Pesquisa feita em 2012 pelo Datafolha por encomenda do Sindicato das Empresas Distribuidoras Cinematográficas do Rio de Janeiro mostra que 56% das pessoas preferem assistir a filmes dublados nos cinemas, enquanto 37% optam por legendados. Os demais são indiferentes.
"A aposta em dublagem baseia-se na procura do público por esse formato e na qualidade melhor de som disponível nas salas", diz o diretor de programação do Cinemark, Ricardo Szperling.
A lógica, no entanto, não é tão simples. Por trás disso, há um fator que contribui para essa expansão: o custo de produção de uma versão dublada, que se tornou mais barato em razão do processo de digitalização dos cinemas.
Antes, era preciso ter duas cópias em película para projetar o filme em ambas as versões. Hoje, isso não é mais necessário, já que elas cabem num mesmo HD (disco rígido de um computador).
O hábito de ver astros como George Clooney e Tom Hanks falando português nas telonas, no entanto, encontra resistência por aqui. Grupos como o "Filme Dublado, Não", que mantém uma página no "Facebook", argumentam que há perda de qualidade sonora nas dublagens e a tradução nem sempre é fiel aos diálogos originais.
Para Pedro Butcher, editor do site "Filme B" e crítico de cinema, é importante encontrar um equilíbrio. "Acho difícil um filme do Woody Allen chegar aos cinemas falado em português", diz.
Butcher ressalta que os exibidores experimentaram nos últimos anos como seriam as respostas dos espectadores às versões dubladas.
Hoje, eles já apostam num mercado mais bem definido e levam em conta critérios como localização da sala, gênero do filme e rentabilidade.

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